25.3.12

Manifesto:.



Definitivamente ter educação não é ler, escrever, fazer contas e muito menos
dar respostas supostamente certas sem questionar o interesse real das perguntas. 

Educação não é receber receitas prontas e executá-las com seu tempero.
Independente do quão bem isso possa ser feito.
Muito menos conhecer a história, distorcida de seus fatos na esmagadora maioria dos casos. 

Pedro Álvares Cabral não descobriu o Brasil.
Osama Bin Laden não foi o grande arquiteto do 11 de setembro.

O objetivo da educação é mudar pensamentos, sentimentos e ações.
Se eliminamos os valores mais profundos do ser humano inserindo apenas culturas
e procedimentos limitadores que desestimulam a pesquisa e o questionamento,
vamos continuar investindo na ampliação de leitos hospitalares ao invés de aplicar recursos em um processo criativo e inteligente de evitar que as pessoas adoeçam.

Educar é tirar do escuro para o claro. E não do escuro para a meia luz.

É muito importante cultivar algumas tradições coletivas.
Isso faz parte do processo natural de evolução da nossa espécie.
Mas pensar como manada, virar cardume,
é o mesmo que enfiar o cérebro humano numa lata de sardinha e jogar fora o abridor.

É missão do “professor de espanto”- como diz o mestre Rubem Alves,
e como sugere o poeta Manoel de Barros –
fazer com que possamos perceber a grandeza das coisas e a força infinita do que parece insignificante.

É preciso observar sem interferir e ao mesmo tempo fazer objeções.
Nenhum organismo, nenhuma máquina sobre a superfície desse planeta tem o potencial
do cérebro e do coração de cada criança, cada homem, cada mulher.
Como diz Maiakoviski, “gente é para brilhar”. 

Sendo assim, é preciso urgentemente que as artes em geral sejam incentivadas com a força de um sol.
Talvez um segundo sol.
Nibiru e Nando Reis que o digam.

Poesia, música, artes plásticas, teatro, literatura, fotografia, cinema.
Todas as artes que libertam a grandiosidade do ser precisam estar no currículo escolar
com a mesma importância da matemática e das línguas, do feijão e do arroz. 

Nossa crise humana não advém do talento individual
e sim do uso inadequado de nossas potencialidades.

Viva o lado direito do cérebro. Viva a dissidência de todas as artes. 

Principalmente a do ser. 

Marcos Ferraz

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